Modalidade do curso

O curso é realizado online e totalmente a distância. As atividades são propostas dentro do Ambiente Virtual de Aprendizagem, MOODLE, para serem cumpridas dentro do período de cada semana. Os participantes podem realizar tais atividades nos dias e horários que lhe forem mais propícios, visto que as atividades previstas para cada semana são assíncronas, disponibilizadas nas segundas-feiras e devem ser realizadas até o prazo estipulado em cada unidade.

No entanto, os conteúdos ficam disponíveis para os participantes até o final do curso.

Uma vez por semana, há uma atividade síncrona, que é uma videoconferência com os professores e/ou tutoras para tirar dúvidas e tratar de temas referentes ao curso. Os alunos que não puderem participar no dia e horário marcados para isso, poderão assistir à gravação posteriormente em horário que lhe for propício.

 

Há apenas uma atividade presencial, no mês de dezembro, que será opcional, apenas para quem desejar um certificado da Extecamp.

 

Um pouco do que faremos aqui

Um dos motivos pelos quais as pessoas sempre estudaram línguas estrangeiras é o desejo ou a necessidade de ter acesso a tecnologias específicas, poder aprender a usá-las, a consultar manuais, a falar sobre elas com seus fabricantes e assim por diante. Mas, há pelo menos duas décadas, essa relação passou a ser de mão dupla: as pessoas também passaram a se interessar pela tecnologia das  mídias digitais, também chamadas ‘novas tecnologias’, para aprender línguas, ou seja,  para ter acesso a materiais didáticos ditos “interativos”, jogos educacionais digitais, filmes, músicas, textos “autênticos” naquela língua e, eventualmente, interagir com pessoas de outros países e culturas na língua-alvo. Assim, acabamos nos  acostumando a pensar na relação entre ensino de línguas e tecnologias em termos “instrumentais” ou “mediacionais”: a língua é um meio/instrumento para se chegar à tecnologia, ou a tecnologia é um meio/instrumento para se chegar à língua. Será que existiria uma terceira opção?

O curso “Mídias Digitais e Ensino de Línguas” foi pensado para mostrar que sim, isto é, que é possível pensar a relação entre ensino de línguas e tecnologias digitais da informação e comunicação de uma forma “orgânica”, ou seja, aprender/ensinar línguas enquanto se aprende/ensina a produzir conteúdos digitais, e não aprender uma coisa para chegar à outra ou por causa da outra. Claro que isso não é exatamente uma novidade: as pedagogias de aprendizagem baseada em projetos e/ou em problemas, as teorias de aprendizagem situada e mesmo o conceito de aprendizagem incidental já tratam, de alguma forma, desse mesmo modo de pensar a relação entre tecnologias e aprendizagens. Porém, o curso “Mídias Digitais e Ensino de Línguas” procura trazer uma contribuição diferente do que normalmente se faz. Seu foco é capacitar o participante a explorar as diferentes mídias digitais do ponto de vista de sua linguagem, de sua “gramática”, por assim dizer, e a produzir diferentes tipos de objetos (de aprendizagem) digitais em que a língua, os componentes linguísticos de um discurso, que vai ser ensinada/aprendida entra como um dos fios numa trama multimodal. Desse modo, não só a língua é ensinada/aprendida de modo contextualizado e significativo, como o discurso que vai sendo elaborado como produto e processo desse ensino/aprendizagem está de acordo com o que é hoje a realidade da comunicação entre as pessoas, tanto nos contextos formais do trabalho e da escola, como nos contextos informais da vida cotidiana.

O curso fornece ao participante, é claro, subsídios teóricos suficientes para que ele seja capaz de refletir criticamente sobre essa proposta e fundamentar suas próprias ideias em relação ao trabalho com mídias digitais em sua própria prática. Mas o foco principal do curso é o fazer! Após um primeiro momento de trabalho com um componente teórico sólido, porém sucinto, são realizadas atividades práticas de produção e/ou análise crítica de vídeo digital, áudio digital, jogos digitais e produção e distribuição de conteúdo em mídias sociais. Em cada um desses módulos, o participante vai aprender sobre a linguagem daquele meio específico (os códigos, as convenções, os componentes abstratos subjacentes) e sobre as oportunidades de ensino-aprendizagem de línguas inerentes à construção de sentido no meio. Por exemplo: quais são os diferentes tipos de planos e enquadramentos em vídeo? Que tipo (funções, estilos etc.) de linguagem verbal correspondem a ou combinam com esses planos, e que efeitos de sentido eles provocam? Quais as funções da fala, da música e dos efeitos sonoros na construção de uma narrativa em áudio? Como a falta dos elementos não linguísticos da fala (gestos, expressões faciais, proximidade corporal) pode ser compensada com esses três componentes sonoros?  O que são “árvore do jogo” e “jogabilidade”? Quais os seus análogos na língua/linguagem natural, por exemplo, numa narrativa? De que forma um videogame pode fomentar o foco na forma e/ou no sentido do seu componente linguístico?

Ao final do curso, espera-se que o participante não só se sinta consideravelmente mais próximo de ser aquilo que hoje chamamos de um(a) professor(a) multiletrado(a) – isto é, alguém que tenha não só os conhecimentos técnicos mínimos, mas também uma consciência informada sobre os recursos e estratégias de construção de sentido de cada meio (digital) – como  também tenha tido a oportunidade de repensar sua prática e a prática de seus alunos numa perspectiva de relação mutuamente constitutiva entre linguagens, aprendizagens e mídia.