Revista Delta

DELTA – DOCUMENTAÇÃO E ESTUDOS EM LINGUÍSTICA TEÓRICA E APLICADA

v. 29 (2013)  Número Especial – Circulação dos Discursos

Coordenação: Ana Raquel Motta, Luciana Salazar Salgado, M. Cecília P. Souza-e-Silva

APRESENTAÇÃO

Em Análise do Discurso, muito já se falou sobre a produção dos discursos, a forma como o sentido é condicionado pelas instituições histórico-sociais e ideológicas de onde provém. Torna-se cada vez mais importante estudar a circulação desses discursos, a maneira como são incorporados pelos sujeitos enunciadores e coenunciadores, como se propagam, como se transformam. O interesse em pensar sobre os modos de circulação dos discursos reside nas possibilidades analíticas que se abrem ao considerarmos a produção dos sentidos como fundamentalmente interdiscursiva e o interdiscurso como anterior e ulterior aos discursos, que se textualizam sempre “encarnando” meios e materiais que não são neutros nem anódinos, são concretude dos dizeres, que se impõe às interpretações. Se consideramos que os sentidos das palavras não são defi níveis a priori, mas construídos por aproximações a outros termos, conforme as condições de produção do que se enuncia, entendemos que o que um texto “quer dizer” não é nunca algo retomável gratuitamente, como uma unidade de significação fixa, reproduzível com perfeita exatidão. Mas também não é uma variação espraiada ao indizível, posto que todo texto está balizado pelas memórias que evoca ao se pôr numa dada forma de aparecimento. Essa totalidade apreensível é feita de vários elementos distinguíveis e de instâncias diversas. No caso de um texto escrito, podemos pensar em expedientes como a paragrafação ou a forma de organizar tópicos, títulos e subtítulos, enumerações e nas relações entre esses expedientes; podemos pensar em cores (ou na falta delas), nos formatos de letra, tamanhos, efeitos gráfi cos, e nos suportes de circulação; podemos pensar também em modos de abrir e de encerrar um fluxo textual; há ainda o tom do texto, o momento em que é proferido, o tempo que toma do leitor, os esforços de interpretação que exige e todas as suas reverberações e ressonâncias. E não há planos privilegiados, uma vez que o eventual privilégio de algum desses elementos é já um efeito de sentido que encontrará ratificações em outros planos, como a falta de relevo de certos outros elementos. (…)

Acesso à revista:

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