Lista de Minicursos

A comissão organizadora do XXIII SETA tem o prazer de divulgar, abaixo, a lista de minicursos do evento. Nesta lista, é possível conhecer os títulos, os nomes dos proponentes, os resumos das propostas de minicursos e também fazer sua inscrição. Para se inscrever em qualquer um dos minicursos, basta clicar no link correspondente, preencher o formulário de inscrição e realizar o pagamento de sua inscrição até o dia 05/10/2017, conforme determinado na aba “minicursos“.


Segunda-Feira, 06 de novembro de 2017

Das 8 às 12h

*

**Minicurso 1

Nome: “Teoria Literária: Materialidades

Proponente: Prof. Dr. Matheus de Brito

Lattes: acesse aqui.

Local: IEL (sala a ser confirmada).

Inscrição: aqui.

Resumo do minicurso: A Teoria Literária surgiu e consolidou-se como disciplina durante o século XX. Enquanto parte da institucionalização do estudo acadêmico da literatura, a Teoria rechaçou tanto o historicismo como a abordagem estético-filosófica “impressionista” da obra literária, promovendo o que seria um paradigma epistemológico mais adequado. Seu compromisso inicial com a disciplina da Linguística foi para tal decisivo. Em virtude, porém, dos próprios limites metodológicos que subscreveu, e junto à crítica geral aos conceitos e interesses cognitivos das Humanidades à volta de 1970, a Teoria da Literatura pouco a pouco viu minadas suas bases discursivas. Trata-se do surgimento do “pós-estruturalismo” e da Desconstrução, ao qual seguiu a emergência dos cultural studies e demais abordagens que hoje balizam o quadro “pós-teórico” dos estudos literários. Em certo sentido, essas manifestações podem ser compreendidas como complexificação interna dos catálogos descritivos, uma sofisticação cujo objetivo foi pôr em xeque lugares comuns e dogmas institucionais, assim permitindo maior proximidade do estudo acadêmico da literatura à sociedade. No entanto, porque lhes permanece comum uma concepção transmissivo-semiótica da textualidade – apenas infletindo o problema da representação e da forma –, essa crítica não deixou de incorrer em problemas análogos aos acusados nas abordagens tradicionais. O mais visível desses problemas é seu enlace com a linguística, que não só permaneceu inquestionado como se tornou absoluto nas discussões acadêmicas, ofuscando ou mesmo apagando a participação dos suportes na construção das obras literárias e da experiência estético-literária em geral. Ao longo do tempo, porém, fez-se progressivamente visível uma série de outras intenções teóricas, que se poderiam sumarizar como uma problematização da materialidade, e que visam a dimensão não-linguística do texto literário. Por esse conceito-chave, entendamos uma forma de pensar a literatura como evento inscritivo-expressivo, num duplo eixo: a) considerando a anterioridade de seu processo material de construção em relação à semiose textual; b) considerando as condições contingentes de sua recepção. O objetivo deste minicurso é oferecer uma visão geral das materialidades da literatura como conceito-chave de um campo de estudos nas Letras e como abordagem teórico-crítica. Avaliaremos algumas de suas principais correntes, enfatizando: 1) quais as categorias fundamentais a partir de que perspectivam o fenômeno literário; 2) como definem e qualificam seu objeto de estudo; 3) as questões concernentes à validade e alcance de seus resultados, suas implicações para a investigação; 4) o seu programa metodológico, mais precisamente seu suporte conceitual e doutrinário. O minicurso será realizado em três etapas: na primeira, uma brevíssima introdução à “pré-história” das materialidades e às questões fundamentais que assistiram a emergência das correntes de Teoria Literária do século XX; num segundo, a construção teórica das discussões sobre a materialidade ao longo da década de 1980 e da seguinte; por fim, o estado da arte das discussões e pesquisas associados às materialidades. Sendo uma abordagem de caráter geral, conhecimentos prévios da disciplina de Teoria Literária são recomendáveis. Um material sumário será disponibilizado por e-mail para os participantes.

*

* Minicurso 2

Nome: “Linguagem, Sexismo e Mulher

Proponente: Profa. Dra. Dantielli Assumpção Garcia

Lattes: acesse aqui.

Local: IEL (sala a ser confirmada).

Inscrição: aqui.

Resumo do minicurso: Desde os anos 1960, a questão da linguagem sexista tem sido intensamente debatida dentro dos círculos feministas. A preocupação em alterar o idioma que discriminava as mulheres e parecia depreciar e banalizar as atividades profissionais a elas associadas era uma preocupação chave para teóricas feministas e ativistas, as quais buscavam produzir ações que alterassem o modo como as mulheres eram representadas em anúncios, jornais, revistas, gramáticas, dicionários. Tendo como condições de produção essas lutas feministas, esse minicurso tem como tema a discussão acerca do sexismo na linguagem e da linguagem inclusiva de gênero, aqui, especificamente, o gênero feminino. Objetiva-se, dessa maneira, refletir acerca do modo como são construídas as noções de gênero gramatical e gênero sociocultural por meio de discursos que circulam em nossa sociedade. Para que tal objetivo seja alcançado, serão analisados diferentes manuais para o uso não sexista da linguagem, pensando como as teorias feministas e linguísticas impactaram a produção de instrumentos que marcam, pelos usos linguísticos, a presença da mulher na língua. Assim, esse minicurso pretende discutir e promover reflexões sobre: 1) a relação entre sexo-gênero, sexo/gênero-norma gramatical, sexo/gênero-norma social, sexo/gênero-cultura, sexo/gênero-subjetividade; 2) a relação entre as teorias feministas e as teorias linguísticas; 3) o processo de gramatização (AUROUX, 1992) e manualização (PUECH, 1995) de um saber linguístico sobre a linguagem não sexista; 4) a produção de materiais como políticas (públicas, linguísticas) que buscam atender a demandas feministas. Intenta-se, por fim, refletir como, ao manualizar um saber sobre o gênero, focando especificamente, ao exemplificar, nas profissões, cargos, funções e atividades realizadas também pelas mulheres, os instrumentos linguísticos produzidos (manuais) representam uma resistência e uma ruptura com o conhecimento gramatical tão reproduzido na sociedade, seja este ensinado na escola ou divulgado na mídia, que coloca e reafirma o masculino como genérico.

 *

Minicurso 3

Nome: “Pesquisa de campo: da Fonologia à Morfossintaxe (coleta, transcrição e análise)

Proponente: Profa. Dra. Zoraide dos Anjos Vieira (UFRR)

Lattes: acesse aqui.

Local: IEL (sala a ser confirmada).

Inscrição: aqui.

Resumo do minicurso: A proposta deste minicurso é dar sequência às atividades desenvolvidas em 2016 no curso Metodologia da Pesquisa de Campo oferecido no XXI SETA. Tendo em vista que já forma apresentadas e discutidas as questões relativas à preparação da ida a campo, o objetivo é realizar com os participantes a prática de pesquisa que consiste na coleta, transcrição e análise, mesmo que de forma preliminar dos dados recolhidos sobre uma língua indígena brasileira. A atividade envolve uma língua brasileira por, pelo menos, duas razões. A primeira sustenta-se na falta de documentação e descrição de grande parte dessas línguas, sobretudo das faladas na região amazônica. Levando em consideração que seus falantes estão isolados geograficamente, essas línguas podem ter desenvolvido inovações linguísticas ainda pouco conhecidas. Outra razão que justifica o estudo dessas línguas é o risco iminente de extinção devido à baixa demografia de suas comunidades de fala e/ou, também, pela pressão exercida pela sociedade não indígena quanto ao uso da língua portuguesa (cujo prestígio é elevado para essas comunidades) em detrimento das línguas indígenas.  Para a realização das atividades, dividimos o curso em duas partes. Na primeira parte, apresentaremos as técnicas básicas utilizadas para coleta e organização dos dados coletados junto ao informante. A intenção é coletar, transcrever e gravar os dados a serem utilizados para análise da estrutura fonológica e morfossintática.  Listas de palavras, sentenças e pequenos textos serão parte do corpus a ser coletado. Já na segunda parte do curso, construiremos hipóteses acerca da fonologia e da morfossintaxe da língua em questão. Convém ressaltar que a coleta e análise dos dados devem ser realizadas pelos participantes, sob a supervisão da professora responsável pelo minicurso.

*

*Minicurso 4

Nome: “Análise de Discurso e leitura de arquivo

Proponente: Prof. Dr. Fábio Ramos Barbosa Filho

Lattes: acesse aqui.

Local: IEL (sala a ser confirmada).

Inscrição: aqui.

Desde a década de 70 a Análise de Discurso funciona como um campo de articulação entre o trabalho do linguista e o do historiador. A partir, sobretudo, da publicação do trabalho fundador de Régine Robin (“História e linguística”, de 1973) e do já clássico “Discurso e arquivo: experimentações em Análise do Discurso”, que compila textos de Régine Robin, Denise Maldidier e Jacques Guilhaumou escritos desde 1976, os diálogos e questões que atravessavam essas disciplinas ganharam forma, o que permitiu que as inquietações se desdobrassem em acontecimentos polêmicos e desafiadores tanto para o campo da história quanto para a linguística. Mas especialmente a partir do colóquio “Materialidades discursivas”, realizado em 1980 em Paris, a Análise de Discurso explorou de forma decisiva os limites das tensas e produtivas relações com o campo da história e das teorias que se ocupam da língua, do social, da subjetividade e do arquivo. A fundação do grupo de pesquisas ADELA (“Analyse de Discours et lecture d’archive”) na década de 80, institucionaliza essas questões candentes e as leituras de arquivo surgem como um dos problemas fundamentais desse campo, na medida em que o documento surge como um ponto de articulação entre textualização e acontecimento e institui um trabalho de pesquisa coletivo que rejeita categoricamente a complementaridade interdisciplinar e as pretensões unificadoras explorando, ao contrário, o intervalo contraditório entre os campos, os objetos e as inquietações teóricas. Partindo desse campo de questões, o minicurso pretende apresentar os participantes os fundamentos teórico-analíticos da leitura de arquivos, permitindo uma introdução ao trabalho com documentos textuais. Serão abordadas, portanto, as relações entre língua, arquivo, acontecimento e a singularidade da leitura de documentos textuais na Análise de Discurso em face de outras práticas de leitura. As perguntas fundamentais que mobilizarão as atividades são: o que faz o Analista de Discurso diante de um objeto normalmente mobilizado pelo historiador ou pelo arquivista? Como ler documentos quando o que está em questão é a articulação entre (o real da) língua e (o real da) história? Para tanto, serão apresentados os conceitos fundamentais da Análise de Discurso (condições de produção, formação discursiva, interdiscurso, dentre outros) em direção às práticas de leitura com documentos textuais. É fundamental precisar que no campo do discurso o documento não pode ser compreendido como um suporte indistinto, mas enquanto um intervalo material que põe ao pesquisador uma posição que coloque em questão os domínios da textualização e do acontecimento. O minicurso será dividido em duas partes: na primeira, trataremos do percurso histórico da relação entre discurso e arquivo na Análise de Discurso, mobilizando conceitos teóricos e trabalhos (na França e no Brasil) que trataram dessa articulação. Na segunda, será precisada mediante uma análise a singularidade da leitura mobilizada pela Análise de Discurso no confronto com o documento textual. Recorreremos, portanto, a documentos pensando o funcionamento desse suporte material na sua formulação e circulação e a articulação entre o linguístico e o histórico.

 

Segunda-Feira, 06 de novembro de 2017

Das 14 às 18h

 * 

*

Minicurso 5

Nome: “Saussure e suas obras (não) publicadas: uma reflexão sobre edição e interpretação

Proponentes: Profa. Dra. Caroline Mallmann Schneiders (UFFS) e Profa. Dra. Maria Iraci Sousa Costa.

Lattes: acesse aqui e aqui.

Local: IEL (sala a ser confirmada).

Inscrição: aqui.

Resumo do minicurso: A presente proposta de minicurso tem o objetivo de apresentar uma reflexão acerca da complexidade do corpus saussuriano, especialmente no que toca ao processo de edição das obras que são atribuídas ao linguista Ferdinand de Saussure. A obra que deu notoriedade a Saussure, especialmente entre os estruturalistas, o Curso de Linguística GeralCLG – (1916), como bem sabemos, não foi publicada por ele. Essa obra, editada por Charles Bally e Albert Sechehaye, a partir de notas dos alunos, durante os cursos ministrados por Saussure entre 1907 e 1911, foi tomada como aquela que projetou a Linguística entre as ciências humanas, definindo-lhe um objeto. O CLG ganhou tal importância que, por muito tempo, a história da Linguística organizou-se em torno de sua representatividade, estabelecendo um antes pré-científico, e um depois, científico, em que a Linguística, reconhece, enfim, e define o seu objeto. Tendo em vista o processo de edição tão controverso dessa obra, muitas edições críticas foram publicadas para ilustrar as diferenças e contradições entre as notas dos alunos e a edição publicada. Mesmo assim, essas publicações não parecem ter afetado de maneira significativa o lugar do CLG na história da Linguística. Em 1992, foram encontradas notas manuscritas de Saussure referentes aos cursos ministrados e que não foram consultadas pelos editores. Essas notas foram editadas e publicadas, em 2002, por Rudolf Engler e Simon Bouquet, sob o título Écrits de Linguistique Générale: Texte établi et édité par Simon Bouquet et Rudolf Engler (Escritos de Linguística Geral). Em 2011, o linguista suíço René Amaquer publicou uma edição crítica dessas mesmas notas saussurianas encontradas na década de 1990, sob o título Science du Langage – de da double essence du langage: Édition des Écrits de linguistique générale établie par René Amacker. Nessa edição, Amacker faz duras críticas à edição francesa, apontando vários equívocos e omissões. Diante de tantas publicações que são atribuídas a Saussure sem que ele tenha publicado nenhuma delas, nosso olhar volta-se para o gesto interpretativo dos editores. Por meio da comparação entre a obra Écrits de Linguistique Générale e Science du Langage – de da double essence du langage, considerando também os manuscritos saussurianos, propomos refletir sobre como se inscreve o gesto interpretativo do sujeito editor. A partir das passagens divergentes entre as edições, voltamo-nos para a nota manuscrita, a fim de buscar compreender o que dá margem para interpretações diferentes. É importante ressaltar que essa busca não tem o objetivo de encontrar o “verdadeiro Saussure”, mas uma obra sobre a qual se discute há um século sem o autor tenha escrito uma linha se quer, merece nossa atenção em toda a sua complexidade.

 *

Minicurso 6

Nome: “Núcleo e periferia das instituições: uma visão do campo quadrinístico

Proponente: Prof. Dr. Lucas Piter Alves Costa

Lattes: acesse aqui.

Local: IEL (sala a ser confirmada).

Inscrição: aqui.

Resumo do minicurso: O objetivo deste minicurso é discutir, a partir de Bourdieu (2002), Maingueneau (2010), Boltanski (1975) e Costa (2016), o conceito de campo discursivo aplicado aos Quadrinhos tomados como instituição relativamente autônoma no panorama da produção cultural. Na literatura da área, o campo é apontado como um lugar de atuação de diversos agentes de uma determinada área cultural, social, estética, acadêmica etc., com maiores ou menores condições de legitimação, em situação implícita de concorrência do capital simbólico vigente. Nessa esteira, os Quadrinhos, tomados como instituição discursiva a partir de Costa (2013), engloba instâncias que vão além das ocupadas pelos quadrinistas. A transposição do conceito de campo para a Análise do Discurso fez necessário ir além da luta implícita entre autores de quadrinhos, trazendo como elementos da formação e constituição de um campo discursivo outros agentes que podem ocupar posições limítrofes entres as práticas de uma instituição, tais como as determinantes do percurso da obra de quadrinhos ou dos direitos autorais. A instabilidade do conceito de campo para os interesses da Análise do Discurso, junto ao conceito de instituição discursiva, é motivo para que se questione sua fiabilidade para estudos mais pontuais da legitimação de obras quadrinísticas. Este minicurso pretende, então, viabilizar uma interpretação do conceito de campo, com foco nas relações interdiscursivas a ele pertinentes. Ressaltam-se, nas reflexões propostas, as diversas formas de materializações (e materialidades) discursivas, de práticas institucionais e/ou legitimadoras, e de agentes mais ou menos reconhecíveis desse domínio a que se chamam Quadrinhos, a nona arte. Neste trabalho, o campo quadrinístico será analisando levando-se em conta um arquivo e uma rede de aparelhos que lhes são pertinentes. Da mesma forma, a abordagem teórica do campo a partir do universo dos Quadrinhos levará em conta que eles têm espaços de atuação mais nucleares em detrimento de outros, gradativamente periféricos, e que podem ser o núcleo de outro campo, de outra instituição. Assim, a abordagem que aqui se propõe contribuirá também para uma reinterpretação da noção de interdiscurso atrelada à de campo.

 *

Minicurso 7

Nome: “Teoria fonológica e novas metodologias para a análise da variação fonética

Proponente: Prof. Dr. Francisco de Oliveira Meneses

Lattes: acesse aqui.

Local: IEL (sala a ser confirmada).

Inscrição: aqui.

Resumo do minicurso: Na fala rápida espontânea, a produção de vogais e consoantes muitas vezes carece de algumas das pistas acústicas que nós, pesquisadores ou estudantes, estamos acostumados a encontrar na fala mais lenta e cuidada. Buscar tais pistas se torna um desafio ainda maior quando nos deparamos com fenômenos fonéticos extremamente sensíveis ao contexto, uma vez que, a longo prazo, a mudança sonora altera, insere ou elimina segmentos, dando origem a alofonias e alternâncias. Este minicurso tem por objetivo discutir procedimentos metodológicos para a realização de trabalhos em Fonética Acústica, com vistas à análise da variação fonética. A intenção é discutir dados relacionadas à variação linguística, com base em medidas acústicas (duração, frequência), perceptuais, aerodinâmicas e, finalmente, articulatórias (dados de ultrassom e rt-MRI). A base da discussão está centrada na investigação de dois processos de redução do Português Brasileiro: o desvozeamento das vogais altas finais e a elisão como manifestação do sândi vocálico externo. Sobre o primeiro, sugere-se, comumente, que as vogais átonas finais tendem a ser apagadas em posições fracas. Dados recentes mostram que o apagamento não acontece na maioria dos casos. Para a elisão, uma extensa bibliografia sugere um apagamento categórico da vogal átona em junção de palavras, enquanto dados articulatórios mostram que a vogal ainda deixa pistas na fala normal e rápida.
Para esses fenômenos, é possível afirmar que que um aprofundamento na análise articulatória pode iluminar o processo de produção de vogais reduzidas do Português Brasileiro, assim como as dissonâncias existentes entre a esfera do planejamento e a execução de fala, uma vez que temos um conjunto de dados acústicos e aerodinâmicos que apontam o acento e o domínio temporal como origem dos processos investigados. Nesse contexto, será possível discutir os conceitos fonéticos e fonológicos relevantes para a compreensão de fenômenos de mudança em questão, além de discutir as implicações do conhecimento de diferentes tecnologias que auxiliam na pesquisa em Fonética e Fonologia.

*

* Minicurso 8

Nome: “Figurações do desejo: abordagens de gênero em Sylvia Plath, Anne Sexton e Tennessee Williams

Proponente: Profa. Dra. Mayumi Denise S. Ilari (FFLCH- USP).

Lattes: acesse aqui.

Local: IEL (sala a ser confirmada).

Inscrição: aqui.

Buscando atender a uma demanda por discussões sobre as reivindicações, representações e conquistas das mulheres em nosso próprio tempo, este minicurso se propõe a analisar diferentes papeis do feminino na poesia das autoras Sylvia Plath (1932 – 1963) e Anne Sexton (1928 – 1974), inicialmente, à luz da chamada poesia confessional, movimento iniciado nos Estados Unidos nos anos 1950 que abordava literariamente uma série de temas considerados tabus e impróprios. Esse movimento, que se desenvolveu até a década 1960, em certa medida abriria caminho à poesia feminista da chamada segunda geração, que inclui autoras como Adrienne Rich (1929 – 2012) e Eileen Myles (1949 – ), entre outras, e se estende, grosso modo, até a década de 1980. Procuraremos observar, na poesia confessional, matizes nas figurações do feminino desse período de forte ativismo e de importantes transformações e demandas de gênero, não mais num âmbito essencialmente privado, mas tendo em vista os movimentos coletivos que aspiravam por um espaço apenas esboçado nas décadas anteriores. Num outro segmento, analisaremos aspectos da figuração do feminino no universo do teatro de Tennessee Williams (1911 – 1983), com suas célebres protagonistas “decaídas” ou “bem-sucedidas” materialmente, “femininas”, ainda que não necessariamente mulheres, e invariavelmente à margem em um mundo inóspito e essencialmente masculino. Observaremos o quanto, abordando questões geracionais que desabrochariam apenas duas ou mesmo três décadas adiante, o universo williamsiano já antecipava, sutil ou abertamente, importantes questões de gênero relativas às possibilidades reais e ao lugar do feminino, muitas das quais persistentes até nossos dias, retomando por exemplo uma série de temas abordados na última grande marcha das mulheres em Washington, em janeiro último, tais como violência sexual (em seus vários aspectos), políticas relativas à saúde feminina, (des)igualdade de gênero, bem como questões amplas relacionadas a direitos humanos, políticas de imigração, questões raciais e de gêneros diversos, entre outros.

*

*Minicurso 9

Nome: “Jogos dramáticos como ferramenta didática para o ensino de língua materna e adicional

Proponente: Profa. Dra. Juliana da Silva Passos

Lattes: acesse aqui.

Local: IEL (sala a ser confirmada).

Inscrição: aqui.

É consenso na educação que o ensino deve se relacionar com os fatos do mundo de fora da escola de maneira contextualizada e significativa. Como fazer isto, porém, quando o ambiente de sala de aula é um espaço essencialmente artificial, no qual são forjadas situações para o emprego de determinados gêneros do discurso, vocabulário ou estruturas? Os jogos dramáticos aparecem como uma significativa ferramenta de mediação pedagógica – compreendida como um processo de construção de significados visando ampliar o diálogo e negociação que pressupõe curiosidade, motivação e autonomia. Aqui, faz-se necessário explicitar que jogos dramáticos – ou jogos teatrais –  são a designação dos exercícios de improvisação desenvolvidos pela diretora teatral norte-americana Viola Spolin, tendo como finalidade a preparação de atores profissionais ou amadores ou ainda como ferramenta de apoio para atividades escolares. Segundo a autora, nem todo jogo pode ser classificado como um jogo teatral: é necessário que o mesmo tenha um foco específico, desenvolvido a partir de instruções e regras que levam os participantes a desenvolver formas da arte teatral, ainda que não resumidos a elas. Os jogos dramáticos vão além do aprendizado teatral de habilidades e atitudes, podendo ser relevantes no desenvolvimento de todos os aspectos da aprendizagem e da vida (SPOLIN, 2012). A partir desta abordagem de conteúdos, os alunos têm a oportunidade de experimentar situações diversas, de se colocar no lugar do outro, negociar significados e buscar possíveis soluções para os problemas encontrados no jogo proposto. Durante a realização deste tipo de atividade, como em quaisquer outras, o professor deve considerar o contexto social e cultural do aluno. Assim sendo, este curso apresentará alguns dos jogos propostos por Viola Spolin, bem como outros jogos dramáticos, e ainda abordará as possíveis aplicações pedagógicas de cada um deles de maneira não-prescritiva.  O professor tem conhecimento e autonomia para adaptar os jogos conforme a necessidade de seu contexto de ensino. A linguagem teatral não é algo estanque, mas em permanente desenvolvimento. Espera-se que a linguagem teatral possa contribuir para a experimentação de novas formas de expressão em sala de aula, tornando assim a aprendizagem mais efetiva e significativa.